Gripe das Aves volta a ser detetada em Portimão: autoridades reforçam alerta no Algarve
Portimão voltou a registar um caso de gripe das aves, também conhecida como influenza aviária, elevando para 29 o número total de focos detetados em Portugal durante este ano. A confirmação foi feita pela Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV), após a deteção do vírus H5N1 numa cegonha-branca encontrada no concelho algarvio.
De acordo com o comunicado da DGAV, o caso foi identificado através do sistema nacional de vigilância de aves selvagens, e o vírus corresponde ao subtipo H5N1, o mesmo que tem sido responsável por surtos em vários países europeus. O organismo sublinha que, apesar de rara, a transmissão a humanos é possível e pode originar quadros clínicos graves, sobretudo em pessoas com contacto direto e prolongado com aves infetadas.
Reforço das medidas de biossegurança
As autoridades veterinárias alertam agora para a necessidade de reforçar as medidas de biossegurança nas explorações avícolas e de evitar, a todo o custo, o contacto entre aves domésticas e aves selvagens. A DGAV recorda que o cumprimento rigoroso das normas de higiene, desinfeção e controlo de acessos é essencial para travar a propagação do vírus.
Segundo a entidade, sempre que é confirmado um foco, são aplicadas de imediato zonas de proteção e de vigilância, com restrições ao movimento de aves e produtos avícolas, bem como a realização de abates preventivos, quando necessário. Estas medidas visam impedir que a doença atinja explorações comerciais e cause prejuízos significativos ao setor.
Portugal sob vigilância
Este novo foco em Portimão surge apenas alguns meses após a deteção de um caso semelhante, em julho, numa gaivota-de-patas-amarelas no mesmo distrito. Em todo o território nacional, a DGAV tem identificado casos esporádicos desde o início de 2025, tanto em aves selvagens como em aves domésticas, o que demonstra que o vírus continua a circular de forma ativa.
O Algarve, pela sua localização geográfica e pela presença de zonas húmidas e de passagem de aves migratórias, é considerado uma área de alto risco. O contacto entre aves selvagens infetadas e aves domésticas de pequenas explorações ou de subsistência pode facilitar a transmissão do vírus, principalmente durante o outono, época em que as migrações são mais intensas.
Risco para os humanos é reduzido, mas existe
Embora o vírus H5N1 afete sobretudo aves, já foram registados, a nível internacional, casos isolados de infeção em humanos. Estes episódios geralmente ocorrem após contacto direto com aves doentes ou superfícies contaminadas. A DGAV e a Direção-Geral da Saúde (DGS) reforçam que não existe, até ao momento, evidência de transmissão sustentada entre pessoas.
Os especialistas recomendam que qualquer cidadão que encontre aves mortas ou com comportamento anómalo não as toque nem tente recolhê-las. O procedimento correto é comunicar a ocorrência às autoridades locais, nomeadamente ao Serviço Municipal de Proteção Civil ou às equipas da DGAV.
Impacto económico e ambiental
Os surtos de gripe das aves têm um impacto profundo no setor avícola português. Sempre que é confirmado um foco, as medidas de contenção implicam perdas significativas, não apenas pela eliminação de aves, mas também pela suspensão temporária da comercialização de produtos avícolas. A isto somam-se os custos de desinfeção, vigilância e reposição de animais saudáveis.
Além das consequências económicas, o problema tem também uma dimensão ambiental. As aves selvagens desempenham um papel essencial nos ecossistemas, e a mortalidade provocada pelo vírus pode afetar o equilíbrio natural de várias espécies, especialmente as migratórias.
Como prevenir novos focos
- Evitar o contacto entre aves domésticas e aves selvagens, especialmente em zonas húmidas.
- Reforçar a limpeza e desinfeção de instalações e equipamentos avícolas.
- Controlar a entrada de pessoas e veículos nas explorações.
- Reportar de imediato às autoridades qualquer sinal suspeito, como aumento súbito da mortalidade ou alterações de comportamento nas aves.
As autoridades sublinham que a vigilância continua a ser a ferramenta mais eficaz para conter a disseminação do vírus. A DGAV mantém equipas no terreno a monitorizar a presença do H5N1 e a recolher amostras em várias regiões do país, com particular foco nas zonas costeiras e nos locais de maior concentração de aves aquáticas.
Conclusão
O reaparecimento da gripe das aves em Portimão é um alerta claro de que a influenza aviária continua a representar uma ameaça séria para o setor agrícola e para a biodiversidade. Apesar de controlada, a situação exige vigilância constante e responsabilidade partilhada entre produtores, autoridades e cidadãos. O cumprimento das medidas de prevenção é, por isso, crucial para travar a propagação da doença e proteger tanto a saúde animal como a humana.
Fonte: DGAV, CM Jornal, DGS, Avinews Europa



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