Francisco Pedro Balsemão homenageia o pai
Em cerimónia comovedora realizada no Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa, o filho Francisco Pedro Balsemão — também presidente executivo da Impresa — prestou tributo ao pai, Francisco Pinto Balsemão, destacando o seu legado marcante na política, na imprensa e na sociedade portuguesa.
Um herói da família e da liberdade
“Diz-se às crianças que o primeiro herói é o pai; em nome da minha família, não tenho dúvidas de que o nosso pai, avô, sogro e marido, Francisco Pinto Balsemão, é e foi o nosso herói”, iniciou o discurso Francisco Pedro Balsemão.
O hómem que entrelaçou família, imprensa e política foi lembrado com afecto e honestidade: “Apesar de ter sido pai e marido por vezes ausente, estamos hoje a sofrer tanto porque ele fez por nós muito mais do que o que ficou por fazer”, afirmou o filho.
Valores transmitidos e legado vivido
No seu discurso, Francisco Pedro enumerou os valores que o pai transmitiu — exigência, humanismo e humor. Falou da “exigência” de que “para o nosso pai tínhamos de fazer mais do que os outros por termos nascido num berço de ouro”. “Somos uns privilegiados, dizia, e por isso tínhamos de fazer o mundo melhor”, recordou.
Outro ensinamento sublinhado foi o “humanismo, no sentido de colocar o ser humano no centro de tudo. O seu enorme coração tocava a tudo e a todos”. Ainda assim, o pai sabia que “não nos devemos levar demasiado a sério, somos um grão de areia num universo onde não estamos sozinhos. É urgente rirmos de nós próprios e com os outros”.
Política, imprensa e sociedade
Francisco Pinto Balsemão deixou marca profunda na sociedade portuguesa: foi fundador do Partido Social Democrata (PSD), antigo primeiro-ministro, criador do semanário Expresso e da estação televisiva SIC — e, segundo o filho, “nunca será uma mera nota de rodapé na história”.
Nas palavras de Francisco Pedro: “Viveu uma vida íntegra e digna. Nunca será uma mera nota de rodapé na história.”
Uma família que partilha o legado
Além do discurso do filho, a família em conjunto expressou o impacto da partida do patriarca e o valor do legado que fica. Os cinco filhos de Francisco Pinto Balsemão referiram numa carta ao pessoal da Impresa que “achámos que o nosso pai era eterno” e destacaram que “o seu legado somos todos nós”.
Na carta, sublinharam que a sua ação foi pautada por liberdade, independência e rigor. Afirmaram que ele “deixou o mundo melhor. Cumpre-nos seguir o seu legado”.
Uma despedida que marca
O velório de Francisco Pinto Balsemão tem lugar no Mosteiro dos Jerónimos, sendo a missa aberta ao público. Figuras da política, dos media e da sociedade portuguesa marcaram presença, homenageando o homem que ajudou a moldar a liberdade de imprensa e o sistema mediático em Portugal.
Marcelo Rebelo de Sousa, Presidente da República, classificou-o como “uma das personalidades mais marcantes dos últimos sessenta anos”.
Porque a sua história importa
A história de Francisco Pinto Balsemão está interligada com a transição democrática em Portugal, a liberdade dos media e a evolução das comunicações. Enquanto primeiro-ministro (1981-1983) e empresário mediático, contribuiu para moldar o panorama político e social do país.
O filho, ao recordar o pai, reforça que o impacto não se esgota na esfera pessoal ou familiar, mas estende-se à sociedade: “Para o nosso pai, por termos nascido num berço de ouro, tínhamos de fazer mais que os outros”. Esta exigência moldou gerações e transmitiu-se igualmente aos netos e bisnetos.
Reflexão para o futuro
Na noite da cerimónia, Francisco Pedro deixou uma mensagem clara: a missão de preservar e desenvolver o legado não recai apenas sobre a família, mas sobre todos — a empresa que o pai fundou, os colegas mediáticos, e os cidadãos que beneficiam de um país mais livre. “Somos uns privilegiados”, disse, “e por isso temos de fazer o mundo melhor”.
Num mundo em que os media e a política se entrelaçam, a despedida de uma figura como Francisco Pinto Balsemão relembra a importância de princípios sólidos: independência, rigor, liberdade, responsabilidade social. O filho sublinha que não basta recordar — é preciso agir. “O seu legado somos todos nós”, foi a frase que encerrou o tributo.
Fonte: CM Jornal, Lusa, Jornal de Negócios
[no-ads]



Explorar